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Mudança nos procedimentos de rede cria oportunidade de negócios

Usinas que antes não eram despachadas centralizadamente terão que investir em automação e telecom para atender as exigências do ONS.

Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Negócios e Empresas (26/01/2017).

As mudanças no módulo 26 dos procedimentos de rede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vão trazer benefícios tanto para a operação do sistema elétrico como oportunidades de negócios para empresas de tecnologia da informação (TI), telecomunicações e automação de usinas, afirmou Rafael Paz, sócio-diretor da GTX Tecnologia, empresa que faz gestão de projetos de TI e telecomunicação para usinas de energia.

Desde o primeiro dia 1º de janeiro, está em vigor as novas regras dos procedimentos de rede. Os procedimentos de rede do ONS definem os requisitos necessários à realização das atividades de planejamento da operação, administração da transmissão, programação e operação em tempo real no âmbito do Sistema Integrado Nacional.

Segundo o executivo, uma alteração no módulo que trata da operação das usinas de geração reenquadrou as classificações de algumas plantas, exigindo também readequações nos itens de automação e telecomunicações, e definiu um prazo de 90 a 180 dias para que os agentes ajustem os sistemas das usinas. “Isso vai ter um impacto nos empreendimentos que hoje não tem uma certa preocupação em atender algumas regras do ONS. A partir de agora vão ter que começar a seguir essas regras e começa a entregar informações que não entregavam” disse Paz. “Todas essas mudanças buscam uma operação de maior qualidade”, completou.

Em nota, o ONS explicou que na versão dos procedimentos de rede homologada no final de dezembro de 2016 pela Agência Nacional de Energia Elétrica, relativamente ao Módulo 26, foram introduzidas várias alterações, “dentre as quais destacamos que usinas hidráulicas maiores que 30 MW deverão ser despachadas centralizadamente pelo ONS e consequentemente classificadas como Tipo I.”

O motivo principal desta alteração, continuou o ONS, foi o cálculo da garantia física dessas usinas, pois usinas despachadas centralizadamente possuem metodologias diferentes das não despachadas, apresentando, portanto, resultados diferentes para PCH (usinas com potências menores ou iguais a 30 MW não despachadas) e UHE (com potências maiores do que 30 MW, despachadas pelo ONS). A garantia física de uma usina define a energia máxima passível de ser contratada, trazendo, assim, rebatimento na comercialização dessa energia.

De acordo com o ONS, pelo fato de serem despachadas centralizadamente essas UHE deverão implantar, dentre outros requisitos, canais de telecomunicação e supervisão de forma que o ONS possa ter as informações necessárias à sua operação. Quanto ao benefício ao sistema, em determinadas situações haverá um ganho para a operação do sistema elétrico na medida que o ONS terá uma ação sobre o despacho dessas usinas.

A expectativa é que a necessidade de investimento para adequar as exigências do ONS crie oportunidades de negócios para o setor de telecom e tecnologia da informação. Embora o investimento seja pouco expressivo quando comparado aos desembolsos durante a construção de uma usina, disse Paz, os empreendimentos terão que conviver com mais um impacto no orçamento operacional anual. “A GTX vê isso como uma oportunidade de mercado porque é o que nós oferecemos aos nossos clientes”, disse.

A GTX é empresa de TI e Telecom, atuando no mercado há mais de cinco anos. “Temos toda a expertise da parte de tecnologia e também temos expertise dos requisitos regulatórios. A gente não só fornece tecnologia, mas a gente ajuda os empreendimentos a se adequarem conforme a regulamentação exigida.”

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