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Como criar um ambiente propício à operação de usinas de geração de energia

Para a montagem de um projeto de usina de geração de energia, é de fundamental importância que os clientes e os seus fornecedores conheçam todos os pré-requisitos e a sequência das atividades que precisam ser realizadas o que, infelizmente, pouco ocorre. No setor elétrico, são muito comuns projetos que não estão em conformidade com as exigências do Operador Nacional do Sistema (ONS), com estruturas e redes inadequadas, que prejudicam ou que impossibilitam uma comunicação eficiente e a operação do empreendimento.

O ONS exige a integração de três sistemas: Scada da subestação, Scada dos aerogeradores e torres anemométricas, além de protocolos e licenças que são necessários para envio dos dados de supervisão ao ONS ou aos centros de operação remotos. “Para uma implantação adequada do projeto BoP, é fundamental considerar todas as necessidades ao longo do tempo, pois tentar adequar o projeto após o seu início pode comprometer o orçamento total pré-estabelecido” explica Paz.

Um exemplo clássico do tipo de falha que pode ocorrer num projeto como esse, é a falta de definição de quem assumirá a comunicação e integração das torres anemométricas, pois quando o projeto já está em curso, fica mais complicado incluir uma solução paliativa capaz de viabilizar o funcionamento da usina. “O impacto financeiro de uma mudança de escopo desse tipo compromete a operação adequada do empreendimento”, comenta Paz.

O executivo explica ainda que essa integração dos módulos internos exige uma reengenharia, além de novas aquisições de produtos e serviços. “A falta de conhecimento dos pré-requisitos do projeto gera despesas e burocracias, e compromete o prazo de energização da subestação. Então, a empresa geradora passa a ter um problema bem sério, pois não consegue entregar energia à rede básica, necessitando assim, a compra no mercado livre. Ou seja, gera mais despesas”, ressalta.

Além de respeitar às exigências do ONS, evitando notificações e problemas futuros com a agência reguladora, é possível também reduzir custos. As demandas de telecomunicações, em geral, não são tratadas com a antecedência adequada, pois é um ambiente complexo que pode levar até 120 dias para ser montado. “Em geral, os clientes deixam apenas 30 dias para resolver toda a parte de Telecom. Esse prazo reduzido gera um prejuízo enorme, pois, para atender à demanda nesse período, os valores cobrados tornam-se bem mais elevados. Um exemplo recorrente de não conformidade é a central telefônica que não contempla gravação. E sabemos que as usinas telecomandadas devem ter suas chamadas gravadas 24×7, de acordo com o procedimento de rede 10.24 do ONS”, explica.

Outro ponto que não tem sido contemplado pelos projetos BOP, mas que pode impactar consideravelmente a operação do empreendimento, são os projetos de segurança cibernética para ambientes de missão crítica, que, geralmente, ficam a encargo do cliente e não são implantados corretamente. “Isso acontece por falta de conhecimento e capacitação na área, deixando o empreendimento vulnerável a ataques externos, vírus (malwares) e acessos indevidos, podendo afetar não só a operação, como a rede de processos de geração do empreendimento, ocasionando prejuízos consideráveis. Nos dias de hoje, com o grande crescimento dos ataques cibernéticos para ambientes de missão crítica, é altamente recomendada a utilização das boas práticas e normas de segurança para ambientes industriais, como ISA99, NIST 800-53, NercCip, ISO27000 etc.”, finaliza Paz.

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